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O elefante e o rato.
Por: Paulo Feijão
Segundo os ultimos dados, o mercado de cerveja artesanal está crescendo. Já foi assunto em outro texto (Joio no meio do Trigo) sobre os oportunistas que aparecem e pensam que é "fácil" ganhar dinheiro no atual cenário. Estamos falando de apenas 1% de participação da microcervejarias no total consumido de cerveja no país, sendo que as grandes cervejarias é quem mandam. Na teoria as cervejarias artesanais tem a quem combater, afinal se queremos aumentar este número de participação precisamos mudar o cenário atual. Sendo assim, o maior obstáculo para o crescimento da cerveja artesanal, são as grandes industrias e a pouca união das microcervejarias. Grandes indústrias continuam a ludibriar seus comsumidores a pensar que o produto Y é aquilo que precisam e ponto final. O pior é algumas microcervejarias adotando práticas das grandes indústrias, como "comprar" pontos de venda. Isso ocorre geralmente aonde já existe uma microcervejaria atuando. Dai vem outra micro e paga ao local para colocar seu produto e retirar a do "concorrente". Obviamente tem que existir competividade entre uma e outra, pórem de forma sadia. Esta prática é um tanto destrutiva para formação de um mercado mais equilibrado. Pois todos perdem, as microcervejarias não combatem quem tem que combater, ficam brigando entre si, os estabelecimentos começam a exigir uma série de investimento que muitas vezes é alto para o padrão de algumas micros. E nem sempre a nova microcervejaria agrega ao local, visto a qualidade do produto oferecido. Diversos locais, não todos, adotam a prática de pedir bonificação disto, bonificação daquilo, mesa, cadeira, geladeira, dinheiro, cerveja, chopp, etc, para colocar o produto no estabelecimento, é errado? Claro que não, porém as exigências estão ficando cada vez mais frequentes e cada vez maiores. O investimento em um estabelecimento é arriscado, pois é difícil saber se vai dar certo a parceria. A cervejaria acaba gastando a mais com isso, ao invés de investir em novos produtos e o consumidor tem um mercado cada vez mais fechado. As grandes indústrias acabam ganhando mercado com esta briga "interna" das microcervejarias, mantendo as mesmas formulas e os métodos agressivos de marketing. O mais interessante nas propagandas das grandes cervejarias é a forma que eles tratam o malte. Sempre mostrando belas imagens do indrediente, falando que é importando. Que o mestre cervejeiro faz uma rígida escolha, bla bla bla. Gostaria de saber porque não falam dos cereais não maltados ultilizados em escala. Eles nunca apareceram em propaganda alguma. Nem ao menos explicam para que serve os "ante" (Antioxidante, Estabilizante, corante) que utilizam, por que será? Porque não acrescentam em nada a bebida e servem apenas para diminuir custos? Porque queimariam o filme da marca? Ou então porque eles omitem esta informação do público consumidor? E que na maioria das vezes nem imagina o que é o tal cereal não maltado e para que ele serve. Dai este consumidor vem a nós perguntar e nós é quem esclarecemos. Depois de tudo isso, o consumidor acha cerveja artesanal "cara". Obviamente que vamos excluir os oportunistas. A questão de valor é de uma complexidade absurda. Pois além de todos os impostos que as cervejarias estão sujeitas, inclusive com ICMS pairando 25%, ainda existe o custo do frete que leva o produto até o consumidor. Depois nas mãos do distribuidor o produto recebe uma margem e depois o ponto de venda também aplica sua margem no valor do produto. Margens que podem variar bastante de região para região . Além disto surgem mais consumidores "experts". Que muitas vezes compararam o preço da cerveja artesanal nacional, com importada. Primeiro que existe a máxima de que o brasileiro acaba valorizando mais o produto de fora do que o produto nacional. Segundo, é fácil de entender porque as cervejas importadas algumas vezes chegam com preço competitivo no mercado brasileiro. Existe uma cultura cervejeira muito forte nestes países. Eles tem plantação de malte e de lúpulo, em variadas regiões, o que ajuda a diminuir o custo, além de diversos fornecedores de insumos. Além disso existe diversos fornecedores de garrafas, veja na Inglaterra a variedade de opções e de produtores, consequentemente preços mais baixos e mais opções. Fabricantes de copos existem vários e você consegue o modelo que precisa para o estilo de cerveja que você tem. A atual cena do Brasil é que, existem quatro empresas que fabricam copo, e os únicos modelos para cerveja diponíveis no catálogo são os copos que você encontra em qualquer boteco, ou seja, sem opções. Essa situação também se aplica ao mercado de garrafas que esta restrito a duas fábricas que tem em seu catálogo apenas as tradicionais garrafas de 600ml retornáveis, de 600ml descartáveis e Long Neck. Caso queira fazer um modelo exclusivo, tanto de copo quanto de garrafa, pode contar com um investimento inicial de R$ 150.000,00 para fazer o molde e depois quantidades mínimas enormes para pedido. Terceiro e ultimo, está se criando uma onda muito ruim no Brasil, a de que "cerveja boa é cerveja cara", até quando vai isso? Até quando a cerveja estiver no limite do vencimento para dai baixar o preço e o consumidor comprar? Até quando começar a cair a ficha dos oportunistas de plantão?

São diversas as variantes que influenciam no atual mercado nacional de cerveja que está crescendo, talvez de forma não muito sadia. Uma coisa é certa, as microcervejarias com propostas de aumentar a cultura no país estão trabalhando duro e quase solitárias. Temos que mudar o cenário, temos que deixar realmente o elefante com medo do rato. Comentários AQUI
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